O cenário da tecnologia corporativa em 2026 atingiu um ponto de inflexão. Com os gastos em nuvem representando agora mais de 45% dos orçamentos totais de TI [1], a disciplina de FinOps (Financial Operations) evoluiu de uma prática reativa de contenção de custos para um modelo operacional estratégico.
Para diretores e gerentes de tecnologia de grandes empresas, o desafio não é mais apenas “economizar na nuvem”, mas sim governar o valor de todo o ecossistema tecnológico, que agora inclui Inteligência Artificial (IA), SaaS, licenciamento e infraestrutura híbrida.
A Expansão do Escopo: FinOps como Gestão de Gastos com Tecnologia
Em 2026, o termo “Cloud FinOps” tornou-se limitado. A realidade operacional das grandes empresas exige o que a FinOps Foundation agora denomina Technology Spend Management (Gestão de Gastos com Tecnologia).
Segundo o relatório State of FinOps 2026, a abrangência das equipes de FinOps expandiu-se drasticamente para cobrir áreas que antes eram geridas em silos [2].
| Categoria de Gasto | Adoção por Equipes de FinOps (2026) |
| SaaS (Software as a Service) | 90% |
| Licenciamento de Software | 64% |
| Nuvem Privada | 57% |
| Data Centers Tradicionais | 48% |
Esta mudança reflete a necessidade de uma visão holística. Diretores de TI não podem mais tomar decisões baseadas em dashboards fragmentados.
A busca atual é por um “Universal Spend Ledger” — um livro-razão único que unifique todos os gastos tecnológicos, permitindo comparações de custo-benefício entre nuvem pública, privada e on-premises.
O Desafio da IA: Autofinanciamento e Governança
A explosão da IA Generativa trouxe uma nova camada de complexidade financeira. Atualmente, 98% das organizações gerenciam gastos específicos com IA [2]. O grande diferencial em 2026 é a expectativa executiva de que os investimentos em IA sejam autofinanciados. Isso significa que a economia gerada pela otimização de recursos legados e nuvem deve ser redirecionada para financiar a inovação em IA.
A gestão de custos de IA tornou-se a habilidade número um exigida das equipes de FinOps. Diferente da computação tradicional, os custos de IA são altamente variáveis e dependem de fatores como tokens, inferência e treinamento de modelos, exigindo ferramentas de automação avançadas, como o IBM Turbonomic, para ajustar recursos em tempo real e evitar surpresas orçamentárias.
Alinhamento Estratégico e a Ascensão ao C-Suite
Uma das tendências mais marcantes de 2026 é o reposicionamento das equipes de FinOps dentro da hierarquia corporativa. Cerca de 78% das equipes de FinOps agora reportam diretamente ao CTO ou CIO [3]. Este movimento elevou o FinOps de uma função técnica para uma capacidade de Alinhamento de Estratégia Executiva.
“O FinOps não serve mais apenas para explicar a conta do mês passado; ele serve para influenciar qual provedor de nuvem será escolhido, como os investimentos em IA serão estruturados e quais serviços serão descontinuados para priorizar o crescimento.”
Neste contexto, a colaboração entre as áreas de Finanças, TI e Negócios é mediada por dados em tempo real. O foco mudou da pergunta “Quanto economizamos?” para “O que estamos financiando e qual o retorno para o negócio?”.
Implementação Prática: O Caminho para a Maturidade
Para empresas que buscam atingir a excelência em FinOps, a parceria com especialistas e o uso de ferramentas líderes de mercado são fundamentais.
A Union IT, em colaboração com fabricantes como a IBM, oferece uma abordagem estruturada que combina diagnóstico, implantação personalizada e suporte contínuo.
A utilização de plataformas como o IBM Apptio permite a consolidação de dados de múltiplos provedores e ambientes híbridos em um único painel.
Esta visibilidade é o primeiro passo para a implementação de práticas de governança sólida, que podem reduzir desperdícios em uma média de até 30% [4]. Além disso, os principais provedores de nuvem lançaram recursos nativos avançados em 2026 para apoiar esta jornada:
| Fabricante | Recurso de Destaque em 2026 | Foco Principal |
| AWS | Compute Optimizer Automation | Automação de rightsizing para volumes EBS e instâncias. |
| Microsoft Azure | FinOps Toolkit 13 | Dashboards em Power BI e integração com Azure Optimization Engine. |
| Google Cloud | Active Assist & Spend-based CUDs | Recomendações inteligentes e descontos simplificados por uso. |
| IBM | Turbonomic & Apptio | Automação de recursos em tempo real e gestão financeira de TI (ITFM). |
Etapas para uma Governança Eficiente:
- Diagnóstico e Assessment: Mapeamento detalhado do ambiente multicloud e híbrido.
- Visibilidade Total: Consolidação de gastos de nuvem, SaaS e licenciamento.
- Otimização Contínua: Uso de automação para rightsizing e eliminação de recursos ociosos.
- Cultura de Responsabilidade: Treinamento de equipes para que cada área seja dona de seu próprio consumo.
Conclusão
Em 2026, o FinOps consolidou-se como o sistema operacional para a governança de tecnologia. Para os líderes de TI, adotar esta disciplina não é mais uma opção, mas uma necessidade para garantir que a inovação tecnológica seja sustentável e alinhada aos objetivos financeiros da organização. O futuro pertence às empresas que conseguem transformar dados de consumo em inteligência estratégica.
Referências:
[1] Gartner, Cloud Spending Forecast 2026.
[2] FinOps Foundation,State of FinOps 2026 Report.
[3] CIO Dive,FinOps Teams Gain Clout as AI Costs Climb, 2026.
[4] Union IT, Benefícios do IBM Apptio Aplicado ao FinOps.


